Denominação
Colégio de São Bento
Ocupação atual
Departamento de Ciências da Vida
Propriedade
Universidade de Coimbra

Caracterização histórico-artística
O Colégio de São Bento de Coimbra, destinado aos estudos de Artes e de Teologia durante toda a sua existência, foi fundado em 1555 por Frei Diogo de Murça, monge jerónimo e comendatário do mosteiro de São Miguel de Refojos de Basto, que, em 1549, obteve autorização do Papa para, com as rendas do mosteiro, fundar três colégios em Coimbra, um para a ordem de São Bento, outro para a ordem de São Jerónimo e o terceiro para colegiais pobres.
O Colégio, um dos maiores de toda a cidade, só ultrapassado pelo dos jesuítas, demorou anos a ser construído, sendo a igreja a última parte a ser erguida, apenas sagrada em 1634, servindo-se os colegiais que há muito o habitavam de uma capela provisória.
Com nave única, seis capelas laterais e cúpula sobre o cruzeiro, o templo seria densamente decorado, num sentido estético próprio da cidade e que se afastava do que então se fazia no país, em parte pela herança de João de Ruão, escultor de origem francesa que trabalhou em Coimbra até à sua morte, em 1580, e que aqui treinou toda uma geração de canteiros especialistas em ornamentação escultórica, como as pedras subsistentes da abóbada da capela-mor, hoje guardadas na mata do Jardim Botânico e em estudo, deixam perceber.
A igreja já não existe, tendo sido destruída em 1932, já em degradação avançada, para permitir a abertura da Rua do Arco da Traição.
Em 1772, no âmbito da profunda reforma da Universidade levada a cabo sob direção do Marquês de Pombal, o colégio cedeu parte da sua cerca para aí se plantar o Jardim Botânico, considerado essencial ao estudo prático e experimental das espécies vivas.
Severamente adulterado pelas várias funções desempenhadas após a extinção das ordens religiosas, em 1834 — como quartel militar, primeiro, e Liceu de Coimbra, depois, com a igreja a funcionar como ginásio e salão — o conjunto receberá, a partir da década de 1940, sucessivas campanhas de beneficiação, por forma a adaptá-lo eficazmente a vários serviços e institutos da Universidade, que então sofria globalmente uma profunda remodelação, dando lugar à nova Cidade Universitária. Entre as principais obras destacam-se o arranjo do pátio principal e a uniformização de salas, corredores, átrios e escadas, nos quais foram aplicados revestimentos azulejares reproduzidos a partir de originais seiscentistas.
No colégio de São Bento funcionam atualmente o Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, bem como diversos serviços administrativos do vizinho Jardim Botânico.
Os colégios universitários
Quando em 1537, por ordem de D. João III, a Universidade é definitivamente instalada em Coimbra, a cidade é dotada de um conjunto de edifícios colegiais destinados a receber os estudantes. Essencialmente erguidos por diferentes ordens religiosas e bispos, constituem um misto de convento e residência estudantil, sendo dotados de dormitório, refeitório, salas de estudo, claustros e igreja. Aos sete primeiros erguidos na Rua da Sofia, juntaram-se muitos outros, na Alta da cidade, chegando a perfazer, no século XVIII, 25.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica", foram extintos todos os conventos, mosteiros e colégios de todas as ordens religiosas e os seus bens incorporados na Fazenda Nacional. Muitos foram reutilizados como quarteis, hospitais, estações de caminho de ferro, etc., outros vendidos em hasta pública e, assim, comprados por particulares. Em qualquer dos casos a mudança de funções e usos foi radical.