Denominação
Colégio das Artes
Ocupação actual
Departamento de Arquitectura, Colégio das Artes
Propriedade
Universidade de Coimbra

Caracterização histórico-artística
Transferido da Rua da Sofia para a Alta em 1565, coincidindo com a passagem da administração do Colégio das Artes para a Companhia de Jesus, a construção do edifício inicia-se logo em 1569. Cinco anos depois, todavia, as obras param por falta de recursos, sendo apenas retomadas em 1611, com ajuda da Universidade, podendo inaugurar-se a lecionação em 1616. Como todos os outros colégios da cidade, também após 1834 e a expulsão das ordens religiosas o Colégio das Artes foi transformado, primeiro em “Liceu de Coimbra”, mais tarde em Hospital da Universidade de Coimbra.
Foi precisamente devido às diversas ocupações e inúmeras funções que desempenhou que o edifício perdeu grande parte da sua fisionomia arquitetónica original, conservando, contudo, algumas das estruturas das antigas salas de aula, nomeadamente as colunas de suporte dos arcos e coberturas de abóbadas de aresta. No piso inferior, persistem também as colunas dóricas que ornamentam o pátio principal, em torno do qual o antigo edifício se organizava. Já no segundo piso, as colunas de ferro fundido testemunham a utilização dos novos materiais construtivos da sua última grande reforma, nos inícios do século XX.
Dos seus dois espaços de culto antigos, apenas se conservou a pequena capela, localizada no flanco nascente do primeiro piso. A campanha de obras realizada nos inícios do século XX absorveu áreas da capela, mas conservou com ligeiras alterações o átrio e a sacristia.
Nas últimas décadas do século XX o Real Colégio das Artes retomou, em parte, as funções escolares para que foi construído. Com efeito, aí funciona, desde 1988, o Departamento de Arquitetura, no piso superior do edifício, sendo o piso inferior ocupado pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Artes da Universidade de Coimbra, que oportunamente reutiliza o velho nome de “Colégio das Artes”.
Os colégios universitários
Quando em 1537, por ordem de D. João III, a Universidade é definitivamente instalada em Coimbra, a cidade é dotada de um conjunto de edifícios colegiais destinados a receber os estudantes. Essencialmente erguidos por diferentes ordens religiosas e bispos, constituem um misto de convento e residência estudantil, sendo dotados de dormitório, refeitório, salas de estudo, claustros e igreja. Aos sete primeiros erguidos na Rua da Sofia, juntaram-se muitos outros, na Alta da cidade, chegando a perfazer, no século XVIII, 25.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica", foram extintos todos os conventos, mosteiros e colégios de todas as ordens religiosas e os seus bens incorporados na Fazenda Nacional. Muitos foram reutilizados como quarteis, hospitais, estações de caminho de ferro, etc., outros vendidos em hasta pública e, assim, comprados por particulares. Em qualquer dos casos a mudança de funções e usos foi radical.