Denominação
Colégio da Santíssima Trindade
Ocupação atual
Casa da Jurisprudência e Instituto Legal (Faculdade de Direito)
Propriedade
Universidade de Coimbra

Caracterização histórico-artística
O conjunto edificado, iniciado em 1562, é composto pela igreja e antigas estruturas de ensino e residência dos religiosos, tendo-se recorrido a uma arquitetura sóbria e despojada de excessivos ornamentos decorativos. Durante o século XVIII o edifício recebeu algumas obras na parte habitacional, impulsionadas pelo vigário-geral da ordem, Fr. Roque do Espírito Santo.
Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o colégio foi vendido a particulares, permanecendo a igreja e o claustro na posse da Fazenda Nacional, que os cedeu à Câmara Municipal para instalação do tribunal judicial. Com um percurso de várias mutilações, com destaque para a derrocada ocorrida em 1988 que destruiria im dos seus traços mais interessantes, a varanda ou loggia, aberta no piso superior e virada a sul, sobre o rio, o conjunto foi integralmente reabilitado já no século XXI, com projeto dos arquitetos Manuel e Francisco Aires Mateus.
Seguindo os modelos de igrejas colegiais edificadas na Rua da Sofia, o templo possui uma nave ampla ladeada por capelas laterais, três por flanco, com transepto inscrito. O seu portal, terminado por volta de 1630, surge enquadrado por dois pares de colunas dóricas, assentes em pedestais, e coroado pelo símbolo da ordem trinitária: uma cruz pátea.
Ao longo dos anos, o Colégio da Santíssima Trindade recebeu também serviços como o colégio feminino da Rainha Santa e várias secções da Associação Académica de Coimbra. Após a recente reabilitação, cujas obras terminaram em 2017, foi aí instalada a Casa da Jurisprudência e, mais tarde, o Instituto Jurídico pertencente à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Os colégios universitários
Quando em 1537, por ordem de D. João III, a Universidade é definitivamente instalada em Coimbra, a cidade é dotada de um conjunto de edifícios colegiais destinados a receber os estudantes. Essencialmente erguidos por diferentes ordens religiosas e bispos, constituem um misto de convento e residência estudantil, sendo dotados de dormitório, refeitório, salas de estudo, claustros e igreja. Aos sete primeiros erguidos na Rua da Sofia, juntaram-se muitos outros, na Alta da cidade, chegando a perfazer, no século XVIII, 25.
Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica", foram extintos todos os conventos, mosteiros e colégios de todas as ordens religiosas e os seus bens incorporados na Fazenda Nacional. Muitos foram reutilizados como quarteis, hospitais, estações de caminho de ferro, etc., outros vendidos em hasta pública e, assim, comprados por particulares. Em qualquer dos casos a mudança de funções e usos foi radical.