Ciência Traduzida - Glossário iCBR
CONCEITOS | A - Z
Nesta secção, encontram-se alguns conceitos científicos, muitas vezes complexos, devidamente “traduzidos” pelos nossos investigadores.
A
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O que significa? A abordagem holística entende o ser humano como um todo, corpo, mente e emoções e procura aliar os cuidados médicos convencionais ao cuidado destas dimensões, baseadas em evidência científica. Promove um envelhecimento saudável, focado na prevenção, na personalização dos cuidados e tratamentos, centrado na pessoa no seu meio ambiente bio-psico-socio-cultural (ausência de doença, qualidade de vida e equilíbrio emocional).
A investigação reside na aplicação de práticas simples, como hidratação, massagem da pele e estimulação dos sentidos, nomeadamente o olfato, e de que forma contribuem para o bem-estar global do idoso. O objetivo é integrar saúde física e emocional e verificar como estas práticas acessíveis e seguras melhoram estes aspetos, reforçando autoestima e sensação de autocuidado numa abordagem ao idoso nos cuidados primários de saúde, local de primeiro e próximo contacto com o utente, e na sua integração à comunidade.
Sofia Vale Pereira, Cláudia Pereira, Anabela Mota Pinto Investigadoras do grupo de investigação: Immunometabolism and Stress Responses (CiBB); Biomarkers & Inflammation (CIMAGO) |
B
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O que significa? A barreira hemato-retiniana (BHR) é um sistema natural de proteção do olho que controla a passagem de substâncias do sangue para a retina, a região responsável pela visão. Funciona como um “filtro seletivo”, permitindo a entrada de nutrientes essenciais e bloqueando substâncias tóxicas e células inflamatórias. A BHR inclui duas componentes: A BHR interna, formada pelos vasos sanguíneos da retina, e a BHR externa, constituída pelo epitélio pigmentado da retina. Em conjunto, mantêm o equilíbrio necessário para uma visão saudável.
Na nossa investigação, a BHR é comparada como uma muralha que protege a retina. Estudamos o que acontece quando essa muralha enfraquece, como na diabetes ou na degenerescência macular da idade, permitindo a entrada de sinais inflamatórios prejudiciais. Para isso, usamos modelos celulares e animais, e amostras humanas, como lágrimas, para compreender estes processos e testar novos agentes terapêuticos com potencial para proteger ou reparar a BHR e preservar a visão.
Rosa Cristina Simões Fernandes Investigadora do grupo de investigação: Retinal Dysfunction & Neuroinflammation Lab |
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O que significa? Biomarcadores são “indicadores biológicos” mensuráveis que fornecem informação sobre a presença, evolução ou comportamento do cancro. Em uro-oncologia, podem refletir a agressividade tumoral, o risco de progressão ou a resposta ao tratamento. A nossa investigação tem-se centrado sobretudo em biomarcadores moleculares e celulares, incluindo microRNAs, ADN tumoral circulante, exossomas, padrões epigenéticos que permitem compreender melhor a biologia dos tumores urológicos.
Os biomarcadores em uro-oncologia são estudados através da análise de tecidos tumorais e de biópsias líquidas, como sangue ou outros fluidos biológicos. Estes biomarcadores permitem caracterizar a heterogeneidade tumoral, monitorizar a resposta aos tratamentos e detetar doença residual ou recidiva. Na prática clínica, estes dados sustentam estratégias de estratificação de risco, medicina de precisão e decisões terapêuticas individualizadas.
Ricardo Leão Investigadora do grupo de investigação: Biomarkers & Inflammation |
C
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O que significa? As células da microglia são os “soldados” do sistema nervoso central (SNC), distribuindo-se pela retina, medula espinhal e encéfalo. Patrulhando estas estruturas, detetam sinais de desequilíbrio e consequentemente tornam-se reativas para manter o equilíbrio. No entanto, se essa reatividade for prolongada ou descontrolada, pode contribuir para danos no próprio SNC. Podemos, assim, imaginá-las como uma equipa de segurança em vigilância, pronta a intervir sempre que surge um problema, embora, em alguns casos, a segurança que garantem possa transformar-se num risco.
Parte da nossa investigação foca-se no estudo do comportamento das células da microglia em doenças neurodegenerativas da retina, como a retinopatia diabética e o glaucoma, com o objetivo de clarificar o papel específico que podem desempenhar nestes contextos. Assim, o nosso interesse é sobretudo compreender novos mecanismos pelos quais as células da microglia podem contribuir para alterar a progressão dessas doenças.
Ana Pedro Duarte, Joana Oliveira, Ângelo Roque-Rosado Investigador(es) do grupo de investigação: Retinal Dysfunction and Neuroinflammation Lab |
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O que significa? Cuidados Paliativos desenvolvidos por profissionais em contexto de cuidados de saúde primários. São cuidados paliativos generalistas, mas que acolhem e utilizam a especificidade e desenvolvimento técnico-científico dos profissionais a exercer na comunidade.
Estuda-se o papel dos médicos de família e outros profissionais de cuidados de saúde primários na identificação e acompanhamento de doentes com necessidades paliativas menos complexas. Testam-se intervenções com impacto na qualidade de vida e sintomas dos doentes com necessidades paliativas e recolhem-se dados dos profissionais de saúde para ajustar estas intervenções. As intervenções podem incluir treino dos profissionais, aplicação de intervenções não farmacológicas, desenvolvimento de formas específicas de seguimento e abordagem dos doentes e famílias.
Carlos Seiça Cardoso Investigador(es) do grupo de investigação: Palliative, End of Life and Bereavement Care Group |
E
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O que significa? O envelhecimento e o cancro estão intimamente ligados. Com a idade, as células acumulam danos no ADN, tornam‑se menos eficientes na reparação de erros, aumentam a inflamação e o sistema imunitário perde capacidade de defesa — alterações que também favorecem o desenvolvimento do cancro. Além disso, o próprio cancro e alguns tratamentos podem acelerar o envelhecimento do organismo, fazendo com que células e tecidos funcionem como se fossem mais “velhos”. Este fenómeno pode afetar a resposta aos tratamentos e a qualidade de vida dos sobreviventes. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? No nosso laboratório estudamos como a quimioterapia pode acelerar o envelhecimento do organismo, afetando sobretudo o sistema imunitário e o sistema cardiovascular, e de que forma isso influencia a resposta ao tratamento e a recuperação dos doentes. Focamo-nos no osteossarcoma, um tumor que afeta sobretudo jovens, para compreender como a quimioterapia pode provocar alterações precoces em órgãos saudáveis. Ao identificar esses mecanismos, queremos desenvolver estratégias que protejam a saúde a longo prazo e melhorem a qualidade de vida dos sobreviventes. Definição proposta por Célia Gomes; Liliana Santos; Gabriela Ribeiro Investigador(es) do grupo de investigação: Cancer and Ageing Research Group |
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O que significa? Doença que afeta a válvula aórtica, uma das quatro válvulas cardíacas que controla a saída de sangue oxigenado do coração para todo o organismo. Nesta doença, o progressivo estreitamento, enrijecimento e calcificação da válvula aórtica compromete o seu normal funcionamento. Desta forma, o coração é forçado a trabalhar mais para bombear o sangue através da abertura cada vez mais estreita da válvula aórtica, o que pode causar insuficiência cardíaca. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Atualmente, o tratamento da estenose aórtica está limitado à substituição da válvula aórtica danificada por uma nova, que pode ter origem mecânica ou animal. No nosso laboratório, estudamos os mecanismos subjacentes à progressão da estenose aórtica com o objetivo de encontrar novos alvos terapêuticos para esta doença. Para tal, desenvolvemos modelos de cultura de células obtidas a partir de válvulas aórticas retiradas dos doentes submetidos a cirurgia para substituição da válvula, cujo estudo nos permite compreender melhor esta doença. Definição proposta por Tânia Marques Investigador(es) do grupo de investigação: Group of Ubiquitin Dependent Proteolysis and Intercellular Communication |
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O que significa? A estimulação sensorial engloba técnicas que ativam tato, olfato, visão, audição e paladar, promovendo bem-estar físico, emocional e cerebral. Com o envelhecimento, a sensibilidade sensorial e a interação com o meio ambiente tendem a diminuir, aumentando o risco de isolamento e vulnerabilidade emocional. Estimular os sentidos reforça ligações neuronais, induz relaxamento e emoções positivas. Evidências indicam que estímulos agradáveis reduzem stress, ansiedade e sintomas depressivos, sendo uma estratégia preventiva eficaz para preservar a saúde mental e melhorar a qualidade de vida dos idosos. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Exploramos o efeito de estímulos táteis/olfativos na melhoria da autoestima e saúde mental dos idosos. Avaliamos como o cuidado com a pele e o relaxamento sensorial melhoram o humor e reduzem o stress, melhorando a saúde mental. A eficácia é avaliada por parâmetros objetivos (diretamente na pele e por biomarcadores periféricos de stress) e por escalas psicológicas. Assim, a estimulação sensorial não é apenas relaxamento momentâneo, mas uma estratégia preventiva que contribui para manter autonomia, equilíbrio emocional e qualidade de vida. Definição proposta por Sofia Vale Pereira, Cláudia Pereira, Anabela Mota Pinto Investigadoras do grupo de investigação: Immunometabolism and Stress Responses (CiBB); Biomarkers & Inflammation (CIMAGO) |
F
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O que significa? Farmacologia é a área da ciência que estuda como os medicamentos atuam no organismo, como são absorvidos, distribuídos, transformados e eliminados, e quais os seus efeitos, incluindo benefícios e possíveis riscos. Terapêutica é a aplicação prática desses conhecimentos na prevenção, atenuação e tratamento das doenças. Em conjunto, permitem escolher o(s) medicamento(s) mais adequado(s), definir a dose correta e a duração do tratamento, garantindo maior eficácia e segurança para cada pessoa, não esquecendo o custo e a comodidade para o doente. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? No nosso grupo de investigação, a Farmacologia e a Terapêutica são aplicadas ao estudar como novas moléculas (medicamentos ou outros compostos bioativos provenientes de alimentos ou de outras fontes naturais) atuam no organismo, que mecanismos biológicos modulam e quais os seus efeitos benéficos e possíveis riscos. Avaliamos a segurança e o potencial terapêutico em doenças metabólicas e inflamatórias, entre outras, contribuindo para identificar estratégias mais eficazes e seguras que possam, no futuro, ser testadas em humanos. Definição proposta por Flávio Reis e Sofia Viana Investigador(es) do grupo de investigação: Therapeutics and nutraceuticals for chronic inflammatory disorders |
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O que significa? A fibrilhação auricular é um tipo de arritmia, que ocorre quando os batimentos do coração se tornam irregulares e geralmente muito rápidos. Enquanto um coração saudável bate cerca de 60 a 100 vezes por minuto, na fibrilhação auricular pode chegar a 150–180 batimentos por minuto. Este ritmo irregular impede que o sangue circule corretamente pelo coração, o que pode causar complicações, como derrames (acidentes vasculares cerebrais). Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Para além das células que geram os impulsos elétricos que fazem o coração bater, existem outros tipos de células no coração, como aquelas que dão suporte, revestem os vasos sanguíneos ou fazem parte do sistema imunitário. No nosso laboratório, estudamos como a comunicação entre esses diferentes tipos de células pode contribuir para a fibrilhação auricular. Usamos culturas de células que podemos estimular eletricamente, simulando o ambiente do coração de uma pessoa com fibrilhação auricular, o que nos vai ajudar a compreender melhor como a doença se desenvolve. Definição proposta por Tânia Marques Investigador(es) do grupo de investigação: Group of Ubiquitin Dependent Proteolysis and Intercellular Communication |
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O que significa? Os fibroblastos são células muito comuns no tecido conjuntivo, que é um tipo de tecido responsável por dar suporte, proteger e ligar os outros tecidos e órgãos. Os fibroblastos produzem a matriz extracelular, que consiste numa rede de fibras que envolve as células, dando forma, força e elasticidade aos tecidos. Além disso, ajudam a reparar os tecidos danificados, formando novas fibras para substituir as partes lesadas. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? No nosso laboratório, estudamos doenças cardíacas em que os fibroblastos sofrem um processo de ativação patológico. Por exemplo, no contexto do enfarte do miocárdio, forma-se um tecido de cicatriz para substituir as células musculares perdidas, e essa cicatriz resulta da expansão dos fibroblastos. Para compreender estes processos, usamos modelos de cultura de células para investigar as vias de sinalização e os mecanismos que controlam a ativação dos fibroblastos. Definição proposta por Tânia Marques Investigador(es) do grupo de investigação: Group of Ubiquitin Dependent Proteolysis and Intercellular Communication |
I
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O que significa? Imunomodulação é o ajuste regulado da resposta imunitária, tornando-a mais forte, mais fraca ou mais equilibrada conforme a necessidade. Em termos simples, é “moderar” o sistema imunitário para evitar que esteja demasiado inativo (aumentando o risco de infeções) ou demasiado ativo (causando inflamação excessiva ou ataque ao próprio organismo). Em obstetrícia, este conceito é importante porque a gravidez exige um equilíbrio delicado entre proteger a mãe e tolerar o feto como “não-próprio”.
Na obstetrícia, a imunomodulação é estudada sobretudo através de citocinas (mensageiros químicos), células-T reguladoras e outros mediadores inflamatórios na interface materno-fetal, procurando perceber como a inflamação descontrolada desencadeia parto pré-termo, pré-eclâmpsia ou outras complicações. Na prática, algumas terapêuticas como a progesterona e a aspirina são vistas como agentes imunomoduladores que ajudam a manter um ambiente anti-inflamatório e de tolerância imunológica, reduzindo o risco de desfechos adversos durante a gravidez.
Ana Luísa Areia Investigadora do grupo de investigação: Biomarkers & Inflammation |
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O que significa? Os microrganismos podem infetar-nos sem provocar doença, como acontece com os comensais que fazem parte das nossas microbiotas e contribuem de forma determinante para a saúde. É também o que acontece quando somos infetados por agentes infecciosos mas não desenvolvemos imediatamente doença, correspondente ao aparecimento de sintomas por causa dessa infeção. Neste caso, podemos só vir a desenvolver doença quando esse agente causa dano nas células ou tecidos (ex. lesão) ou quando o sistema imunitário reage à presença desta infeção (ex. febre e vómitos).
O nosso trabalho de investigação estuda os mecanismos pelos quais os microrganismos conseguem sobreviver no nosso corpo sem que haja desenvolvimento de doença, em particular os elementos das microbiotas, interagindo em harmonia com o nosso organismo. Por outro lado, tentamos desenvolver novos alvos terapêuticos que interfiram com a interação entre os agentes infecciosos e as nossas células e tecidos e que impeçam o desenvolvimento de doença.
Teresa Gonçalves, Lisa Rodrigues Investigadora do grupo de investigação: Medical Microbiology |
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O que significa? É uma inflamação crónica, sistémica de baixo grau, associada ao envelhecimento e que resulta da ativação contínua do sistema imunitário ao longo da vida, influenciada por fatores como stress, doenças crónicas, sedentarismo e alterações celulares. Este estado inflamatório persistente está ligado ao aumento do risco de patologias relacionadas com a idade, como doenças cardiovasculares, diabetes, fragilidade, declínio cognitivo e compromisso da saúde mental, sendo considerado um dos principais mecanismos biológicos do envelhecimento.
Inflammaging é estudado avaliando se intervenções sensoriais reduzem sinais psicológicos associados à inflamação crónica do envelhecimento. Medimos parâmetros cutâneos, biomarcadores de stress (diminuição de citocinas pro-inflamatórias) e escalas de bem-estar, ansiedade e depressão. Assim, investigamos se rotinas acessíveis e não invasivas podem modular respostas inflamatórias, preservar a função e melhorar a qualidade de vida em pessoas idosas.
Sofia Vale Pereira, Cláudia Pereira, Anabela Mota Pinto Investigadoras do grupo de investigação: Immunometabolism and Stress Responses (CiBB); Biomarkers & Inflammation (CIMAGO) |
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O que significa? Corresponde a um conjunto de ações planeadas e executadas dentro de um grupo ou bairro de forma a promover a saúde de todos. Funciona como uma horta comunitária: não basta cuidar de uma planta isolada, é preciso preparar o solo e envolver todos os vizinhos para que o jardim inteiro floresça. O foco deixa de ser o indivíduo sozinho no consultório e passa a ser o ambiente e as relações onde as pessoas vivem e convivem.
Desenhamos programas que não são impostos "de fora", mas construídos em parceria com a população e associações locais. Testamos se estas intervenções, ao utilizarem os recursos do próprio bairro (parques, clubes, vizinhança), conseguem gerar mudanças de hábitos mais duradouras do que um simples conselho médico. O objetivo é criar redes de apoio que tornem as escolhas saudáveis mais fáceis e acessíveis para todos os membros daquela comunidade específica.
Susana Miguel, Guilherme Furtado, Anabela Mota Pinto, Carlos Seiça Cardoso Investigadores do COMPASS 65+ - Programa comunitário de snacks de atividade física para envelhecimento saudável em idosos com excesso de peso ou obesidade (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra) |
M
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O que significa? A metastização é o processo pelo qual células de um cancro se espalham do tumor original para outras partes do corpo. Algumas células conseguem libertar‑se do tumor primário, entrar na corrente sanguínea ou no sistema linfático e viajar até outros órgãos, onde formam novos tumores. É como se “partissem em viagem” e criassem novos focos da doença. A metástase torna o cancro mais difícil de tratar, porque a doença deixa de estar confinada ao local onde começou. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Na nossa investigação estudamos como as células tumorais conseguem ultrapassar as etapas da metastização: libertam‑se do tumor primário, sobrevivem durante a viagem pelo sangue ou pela linfa, escapam ao sistema imunitário e adaptam-se a novos órgãos, onde podem voltar a crescer. Analisamos estes processos ao nível celular e molecular, identificando sinais que facilitam a disseminação do cancro. Este conhecimento apoia o desenvolvimento de estratégias que ajudem a prevenir ou retardar a metastização e a tornar os tratamentos mais eficazes. Definição proposta por Célia Gomes, Liliana Santos, Gabriela Ribeiro Investigador(es) do grupo de investigação: Cancer and Ageing Research Group |
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O que significa? O microambiente tumoral é o conjunto de células não tumorais que infiltram os tumores, incluindo células do sistema imunitário, vasos sanguíneos, fibroblastos e moléculas que permitem a comunicação entre células. Este ambiente influencia de forma decisiva o comportamento do tumor e a sua resposta aos tratamentos. Evolui ao longo da doença e pode ajudar tanto a travar o cancro como a favorecer o seu crescimento e a resistência às terapias, sendo, por isso, um fator-chave na progressão da doença. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? No nosso laboratório, estudamos como as células tumorais alteram e controlam as células do microambiente tumoral, utilizando essas interações para proliferar, invadir outros órgãos e resistir às terapias. Analisamos estas comunicações a nível celular e molecular, identificando sinais químicos que favorecem o crescimento do tumor. Ao compreender estes mecanismos, procuramos bloquear ou redirecionar essas mensagens, tornando o microambiente menos favorável ao cancro e abrindo caminho a novos tratamentos mais eficazes. Definição proposta por Célia Gomes, Liliana Santos, Gabriela Ribeiro, Belmiro Parada; Frederico Furriel Investigador(es) do grupo de investigação: Cancer and Ageing Research Group |
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O que significa? A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos (sobretudo bactérias, mas também vírus, fungos, entre outros seres microscópicos) que vivem naturalmente no nosso intestino. Esta comunidade exerce funções importantes para o hospedeiro (o organismo humano), incluindo ajudar a digerir alimentos e a obter energia, produzir vitaminas, reforçar a imunidade e proteger contra infeções, entre outras funções que beneficiam a saúde humana. O desequilíbrio desta comunidade (chamado disbiose), por alimentação não saudável, medicamentos e outros fatores, pode contribuir para diversas doenças. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? No nosso grupo de investigação estamos interessados em estudar formas de modificar a composição e metabolismo da microbiota intestinal, desequilibrada em várias doenças metabólicas e inflamatórias, entre outras, com o objetivo de aumentar a abundância de bactérias benéficas e assim favorecer relações simbióticas que contribuem para a saúde do hospedeiro. Para tal, avaliamos o impacto de compostos de base natural do setor alimentar e farmacêutico, com o objetivo de prevenir, atenuar ou tratar aquelas doenças. Definição proposta por: Flávio Reis e Sofia Viana Investigador(es) do grupo de investigação: Therapeutics and nutraceuticals for chronic inflammatory disorders |
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O que significa? As nossas vias aéreas são colonizadas por múltiplos microrganismos, a microbiota respiratória, que, como todos os comensais, não provocam doença infecciosa. No entanto, estes microrganismos, em particular os fungos, podem libertar continuamente alergénios, pequenas moléculas que, no caso de indivíduos com alergias respiratórias, podem contribuir para a doença, como é o caso da asma. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? A nossa investigação centra-se no fungo Alternaria, um dos principais agentes associados a alergias que pode ser encontrado no ambiente (ex. bolores pretos das casas). Estes fungos lançam esporos que, quando aspirados, podem fixar-se nas vias aéreas como parte da microbiota respiratória. Aí, proliferam e podem libertar alergénios, exacerbando sintomas de alergias (ex. espirros, tosse, falta de ar). Pretendemos perceber como poderemos evitar a produção destes alergénios e a sua libertação em pequenas vesículas, melhorando, assim, a qualidade de vida dos doentes com alergias respiratórias. Definição proposta por Teresa Gonçalves, Chantal Fernandes Investigador(es) do grupo de investigação: Medical Microbiology |
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O que significa? Os microplásticos são partículas de plástico muito pequenas, geralmente com menos de 5 mm. Podem formar-se como resultado do desgaste de objetos maiores, como garrafas de plástico, pneus de automóveis ou tecidos sintéticos, mas também podem ser produzidos e adicionados intencionalmente a alguns produtos, como esfoliantes para a pele ou pastas dentífricas. Atualmente, a poluição por microplásticos é motivo de grande preocupação, não só pelas consequências nefastas para o meio ambiente, mas também para a saúde humana. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Hoje sabemos que os microplásticos estão presentes em todo o lado: no ar que respiramos, na comida e na água que bebemos. A exposição contínua a estas partículas pode contribuir para o desenvolvimento de várias doenças humanas, incluindo aquelas que afetam o coração e os vasos sanguíneos. No nosso laboratório, estudamos como os microplásticos podem afetar as células que constituem a válvula aórtica, contribuindo para o seu desgaste e progressão da estenose aórtica. Definição proposta por Tânia Marques Investigador(es) do grupo de investigação: Group of Ubiquitin Dependent Proteolysis and Intercellular Communication |
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O que significa? Diz respeito à utilização de um animal (rato, peixe, entre outros) para estudar uma doença humana em condições controladas. Na impossibilidade de poder usar tecidos de humanos vivos na maioria das situações, os cientistas tentam reproduzir no animal características semelhantes às da doença nas pessoas, para compreender melhor as suas causas, evolução e possíveis tratamentos. Estes modelos ajudam a descobrir e a avaliar novos medicamentos e a aumentar o conhecimento científico antes da investigação poder ser realizada envolvendo pessoas. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? O principal objetivo do nosso grupo é o de avaliar novas opções terapêuticas para prevenir ou tratar doenças metabólicas e inflamatórias, entre outras. Antes que estas abordagens terapêuticas possam ser estudadas em humanos é necessário avaliar a sua eficácia, e também segurança (potenciais efeitos tóxicos), em modelos mais simples, que vão desde estudos informáticos preditivos a modelos animais, passando por células isoladas. Neste longo trajeto da investigação biomédica, o nosso grupo concentra-se sobretudo em modelos animais de doença. Definição proposta por Flávio Reis e Sofia Viana Investigador(es) do grupo de investigação: Therapeutics and nutraceuticals for chronic inflammatory disorders |
N
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O que significa? Tal como entalar um dedo provoca um inchaço, resposta que ajuda na recuperação, também o sistema nervoso central (SNC) ativa mecanismos de defesa quando sofre uma lesão ou é exposto a uma infeção. A esta reação chamamos neuroinflamação. Inicialmente, é uma resposta benéfica, contribuindo para a reparação dos tecidos e proteção do SNC. O problema surge quando se torna crónica, passando de aliada a agressora. No centro desta reação estão as células da microglia, as células “guarda” do SNC. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? A neuroinflamação desempenha um papel preponderante em várias doenças degenerativas da retina, extensão do sistema nervoso central (SNC) localizada no olho. No caso da retinopatia diabética, por exemplo, a neuroinflamação crónica contribui não só para alterações vasculares, mas também para a degeneração das células retinianas. Assim, parte da nossa investigação centra-se no estudo dos mecanismos através dos quais a neuroinflamação influencia a progressão dessas doenças. Definição proposta por: Ana Pedro Duarte, Joana Oliveira, Ângelo Roque-Rosado Investigador(es) do grupo de investigação: Retinal Dysfunction and Neuroinflammation Lab |
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O que significa? O ser humano está permanentemente exposto ao ar ambiente, em ambientes fechados ou exteriores, e isso pode determinar a saúde ou a doença. A falta da qualidade do ar é normalmente entendida como um aumento de pequenas partículas e gases poluentes, mas as populações de microrganismos no ar que respiramos podem ter também um grande impacto. A exposição prolongada a ar ambiente de fraca qualidade contribui para várias doenças, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), mas também doenças infecciosas graves como a COVID-19. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? A nossa investigação tenta caracterizar e perceber a flutuação das populações microbianas no ar ambiente interior (ex. centro de saúde) e exterior, realizando colheitas e identificando bactérias, vírus e fungos. Estas metodologias permitem-nos, em colaboração com entidades dedicadas ao desenvolvimento tecnológico, contribuir para estudos de novas tecnologias de purificação do ar de forma a obtermos um ar mais puro (ex. remoção de partículas e/ou de alguns gases poluentes) e mais seguro (ex. isento de microrganismos nefastos para o Homem). Definição proposta por: Teresa Gonçalves Investigador(es) do grupo de investigação: Medical Microbiology |
O
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O que significa? É a combinação de excesso de gordura corporal com a perda de massa e força muscular. É como um carro com uma carroçaria muito pesada, mas um motor pequeno e enfraquecido: o veículo tem dificuldade em mover-se e as peças vão-se desgastando mais depressa. Não importa apenas o peso na balança, mas a "qualidade" da nossa composição. No envelhecimento esta situação é comum, tornando tarefas simples, como levantar de uma cadeira, um desafio. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Estudamos como programas de exercício físico podem "reforçar o motor" e reduzir a "carga", e de que forma estas estratégias combatem a fragilidade em pessoas mais velhas, avaliando o impacto na sua autonomia e prevenção de quedas. O objetivo é garantir que o corpo não seja apenas um fardo a carregar, mas uma estrutura funcional que permite manter a independência e a qualidade de vida durante o máximo de tempo possível. Definição proposta por Susana Miguel, Guilherme Furtado, Anabela Mota Pinto, Carlos Seiça Cardoso Investigadores do COMPASS 65+ - Programa comunitário de snacks de atividade física para envelhecimento saudável em idosos com excesso de peso ou obesidade (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra) |
R
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O que significa? A retinopatia diabética é uma complicação da diabetes que afeta a retina, uma estrutura sensível à luz localizada no fundo do olho. Níveis elevados de açúcar no sangue danificam os pequenos vasos sanguíneos da retina, tornando-os frágeis e com fugas de sangue. É uma doença silenciosa uma vez que nas fases iniciais não apresenta sintomas visíveis, e que evolui lentamente levando à perda de visão ou cegueira se não for detetada e acompanhada atempadamente. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Na nossa investigação, estudamos a retinopatia diabética como uma doença que afeta não só os vasos sanguíneos, mas também as células nervosas e células do sistema imunitário da retina. No projeto NDR2, analisamos como níveis elevados de glicose alteram o funcionamento celular e contribuem para a degeneração da retina. Usamos modelos experimentais para identificar mecanismos moleculares envolvidos e potenciais alvos que ajudem a proteger a visão em pessoas com diabetes. Definição proposta por Carolina Valente Santos, Hélène Léger, Paulo Santos Investigador(es) do grupo de investigação: Retinal Dysfunction and Neuroinflammation Lab |
S
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O que significa? São períodos muito curtos de atividade física moderada ou intensa (como subir escadas por 1 minuto), espalhados ao longo do dia. Funciona como um "petisco": em vez de uma refeição gigante e pesada (uma hora seguida de ginásio), optamos por pequenas doses de movimento que, somadas, mantêm o metabolismo "aceso" ao longo do dia. É a solução ideal para quem sente que não tem tempo na agenda ou capacidade física para treinos convencionais. Como é que este conceito é estudado/aplicado na vossa linha de investigação? Investigamos como estes pequenos períodos de atividade física podem quebrar o comportamento sedentário, especialmente em pessoas idosas. Analisamos se estes "snacks" de exercício são suficientes para melhorar o bem-estar, a saúde cardiovascular e manter a autonomia para as tarefas do dia-a-dia. O foco é criar estratégias realistas e "invisíveis" que transformem a rotina diária num plano de treinos de conveniência, provando que pequenos esforços repetidos geram grandes impactos na saúde a longo prazo. Definição proposta por Susana Miguel, Guilherme Furtado, Anabela Mota Pinto, Carlos Seiça Cardoso Investigadores do COMPASS 65+ - Programa comunitário de snacks de atividade física para envelhecimento saudável em idosos com excesso de peso ou obesidade (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra) |