O Centro

Quem Somos

Criado no âmbito da Reitoria da Universidade de Coimbra em Dezembro de 1984, o Centro de Documentação 25 de Abril é hoje uma das Unidades de Extensão Cultural e de Apoio à Formação (UECAF's) da UC.

Instalado no Colégio da Graça na Rua da Sofia, desde Julho de 2016, visa recuperar, organizar e pôr à disposição da investigação científica o valioso material documental disperso pelo país e estrangeiro sobre a transição democrática portuguesa (o 25 de Abril de 1974, os acontecimentos preparatórios e as suas principais consequências), mas também sobre toda a segunda metade do século vinte português.

Regulamento

História

Há trinta anos e dois anos por inspiração de Boaventura de Sousa Santos, um grupo de docentes e investigadores do Centro de Estudos Sociais da UC propôs ao então Reitor Universidade, Prof. Doutor Rui de Alarcão, a criação de um centro de documentação com objectivo principal de reunir materiais únicos que possibilitassem uma investigação científica séria e profunda sobre a vida política e social portuguesa do período que medeia entre o 25 de Abril de 1974 e a aprovação da Constituição da República seguida da tomada de posse do I Governo Constitucional. Foi necessário agir em tempo útil protegendo a documentação considerada rara ou única, e evitar que documentos originais relativos àquele período saíssem de Portugal e fossem enriquecer as colecções de bibliotecas e arquivosestrangeiros. O Centro foi oficialmente criado por despacho reitoral em Dezembro de 1984 e o mesmo despacho nomeava Boaventura de Sousa Santos seu presidente. Hoje, segundo os novos estatutos da Universidade de Coimbra publicados no Despacho Normativo nº43/2008 de 1 de Setembro o CD25A adquiriu o estatuto de Unidade de Extensão e Cultural e apoio à Formação. Rui Bebiano é desde Julho de 2011 o Director, sucedendo no cargo a Boaventura de Sousa Santos.

Desde a sua fundação, o Centro de Documentação 25 de Abril – um organismo público,directamente dependente da Reitoria da Universidade de Coimbra - teve como missão recuperar um imenso material disperso pelo país, na posse de pessoas ou organizações sociais, políticas, culturais e religiosas, e a organizá-lo de modo a poder torná-lo disponível para os interessados em conhecer e compreender tanto os acontecimentos preparatórios como o período posterior ao 25 de Abril de 1974. Tornou-se pioneiro em Portugal, na recolha sistemática de arquivos e fundos documentais privados, dispondo hoje de um acervo documental muito rico e volumoso, proveniente das ofertas feitas por cerca de trezentos doadores.

Cedo se percebeu que a par da documentação sobre o período de 1974 a 1976, se estava a recuperar muita documentação referente a movimentos sociais e políticos, activos durante a oposição política e a resistência organizada à ditadura, quer dentro do país, quer no exílio, bem como documentação referente ao movimento internacional de apoio aos Movimentos de Libertação das ex-colónias. Esse conjunto de arquivos é hoje uma area muito procurada por alunos de 2 º e 3º ciclos do Ensino Universitário, bem como por investigadores portugueses e estrangeiros.

O facto do Centro de Documentação ser uma instituição pública, universitária, directamente dependente da Reitoria da Universidade de Coimbra, facilitou muito as ofertas, sendo essa situação considerada pelos doadores como uma garantia de que a documentação recolhida é escrupulosamente preservada, criteriosamente tratada de modo a facilitar ao máximo a tarefa dos investigadores, garantindo-se também uma total isenção ideológico-partidária nos critérios, quer de recolha, quer de conservação, quer de divulgação dos documentos.

Caracterização

O Centro de Documentação 25 de Abril é uma instituição complexa porque associa características de diferentes tipos de organizações. É uma biblioteca erudita vocacionada para apoiar investigadores e alunos universitários. Colecciona livros e material não livro (registos vídeo e sonoros) mas também material impresso e manuscrito diverso (panfletos, comunicados, recortes de imprensa), iconografia rara variada e objectos, o que o aproxima de um museu documental. Por outro lado, e porque não há em Portugal nem uma política oficial nem uma prática institucionalizada de recolha sistemática de arquivos e papéis privados considerados de interesse público, sempre acolheu doações de arquivos privados o que o tornou rapidamente num dos mais ricos arquivos de história portuguesa do século 20, o principal arquivo nacional sobre os acontecimentos políticos de 25 de Abril de 1974, seus antecedentes – a oposição e resistência à ditadura sobretudo a partir do final da década de 50 – e consequências – do pós 25 de Abril ao período constitucional, que culmina com a eleição do primeiro Governo em 1976. Mas, como centro de documentação especializado, é muito utilizado por alunos do ensino secundário, ou por simples curiosos da história social e política recente, que procuram as obras de síntese, as enciclopédias especializadas, os recortes de imprensa, os registos vídeo. E nessa medida o Centro funciona também como biblioteca escolar ou mesmo biblioteca de leitura pública.

Não se limitou a recolher, conservar e catalogar a documentação produzida mas, conhecendo cada vez melhor as suas colecções e confrontando-se com o facto de detectar importantes zonas lacunares de informação, dá início, em 1990 ao Projecto de História Oral sobre o 25 de Abril. Com cerca de 200 horas de entrevistas já gravadas tornou-se também um arquivo de história oral. Aproveitando o aparecimento das novas tecnologias e a explosão e a disseminação de documentos electrónicos logo em 1994 o Centro criou um sítio na Internet e, no mundo virtual, instalou o catálogo bibliográfico em linha e disponibilizou documentos em texto integral, tornando-se assim num dos primeiros arquivos e bibliotecas digitais. A partir de 2005 e com o apoio de financiamento official surgido com o Programa Para a Sociedade do Conhecimento (POSI) pôde dar inicio a ao projecto sistemático de digitalização selectiva de documentos de arquivo, tendo no final de 2008 cerca de 180 000 objectos / conteúdos digitais disponíveis a partir da página Internet.O trabalho no Centro de Documentação 25 de Abril é assegurado por uma equipa técnica especializada constituída por pessoas com categorias profissionais diversas nas áreas de Biblioteca, Arquivo e Documentação, investigação em filosofia e história política. É uma equipe pequena, orientada pela liderança forte e motivadora dos directores que instituindo e prosseguindo a gestão por objectivos, com uma visão de futuro, preferiram à tradicional forma de trabalho com estrita dependência hierárquica e por processo, a gestão de proximidade, a liderança emocional e o trabalho em rede, em que cada elemento da equipa compreende participa e executa em harmonia um objectivo comum.

Atividades

As principais atividades do Centro são:

  • a recolha, o tratamento técnico e a colocação à consulta pública de documentaçãode arquivo recebida, proveniente sobretudo de arquivos privados de políticos, militares, militantes e resistentes políticos e de intelectuais portugueses.
  • a organização e a manutenção de uma bibliografia actualizada, pesquisável em linha, do material nacional ou estrangeiro publicado;
  • a organização e o desenvolvimento do Projecto de História Oral;
  • a edição de fontes em formatos variados;
  • a edição de materiais pedagógicos dirigidos às escolas secundárias;
  • a manutenção e actualização da página na Internet, com inclusão de conteúdos em texto integral;
  • a extensão cultural à comunidade, organizando, para itinerância pelo país,exposições documentais e fotográficas e a organização de um conjunto de cerca de 30 pequenos núcleos documentais destinados a empréstimo às escolas;
  • a participação em debates e conferências organizados pela comunidade;
  • a colaboração estreita com a tutela directa - a Reitoria da Universidade de Coimbra – procurando adequar sempre que possível e cumprindo a sua missão, as suas actividades às grandes linhas estratégicas, estabelecidas anualmente pela UC.

Formas de Aquisição, Catalogação e Pesquisa dos Fundos de Arquivos

Aquisição
Estão previstas como é habitual neste tipo de organizações, várias formas de aquisição: doação, legado, depósito e compra. No entanto no Cd25a a doação tem sido a norma.

Catalogação e tratamento técnico
A documentação de arquivo, tal como acontece com os livros e materiais não livro (iconográfico, registos áudio e vídeo , fotografias, etc..) são catalogados utilizando as normas de descrição arquivística internacionais.
No caso dos documentos de arquivo todos os arquivos inventariados foram já catalogados e inseridos no catálogo informatizado para armazenamento e pesquisa, através do portal Inforgestnet.
Mas todos os procedimentos no CD25A tem em conta as normas e nacionais e internacionais aplicáveis na área de arquivo. As fases de tratamento técnico passam pela abertura dos espólios, pela análise documental, pela selecção de separação de tipologias documentais que não sejam consideradas arquivo, pelo restauro conservação de documentos danificados, pela criação da grelha classificativa, pela catalogação e integração dos documentos nas diversa secções, subsecções e séries criadas, terminando na arrumação e na atribuição de cota.

Tipologias documentais
Sendo uma instituição vocacionada para a recolha e a preservação dos papeis privados de personalidades político-militares, de activistas sociais e políticos, de colectividades de cariz politico, social e cultural o CD25A recebe, por doação, conjuntos muito díspares de documentação. Há ofertas que contém documentos inequivocamente de arquivo, os que resultam do desempenho de determinadas funções. É o caso, por exemplo das doações dos papéis privados de personalidades que tenham desempenhado funções politicas públicas, numa determinada época da sua vida.
Mas a maioria das doações, incluem sobretudo tipologias documentais variadas, (livros, jornais e revistas, cartazes, autocolantes, fotografias, recortes de imprensa, correspondência pessoal, etc..) estando mais próximas do conceito de colecções especializadas, já que reflectem a vida e os interesses do doador, e que se revelam extraordinariamente ricas para o estudo, por exemplo, da história social das décadas de 60 e 70.

Pesquisa
Como referimos já, foi nossa preocupação criar instrumentos de descrição e pesquisa dearquivos para melhor e mais rapidamente servir os nossos leitores/investigadores.
Tal como noutras instituições similares acontece, o CD25A aproveita as tarefas administrativas de transferência de propriedade e os inventários elaborados com esse fim, para os adequar á função de instrumentos de pesquisa.
Na página principal do CD25A na Internet foi criado um menu de acesso ao Guia de Fundos já catalogados e, em muitos casos, também já estão disponíveis os respectivos inventários.
Consultando o Guia de Fundos de Arquivo pode ter-se a cesso a informação mais detalhada sobre cada um deles, dados, por exemplo, referentes a datas limites da documentação, às principais tipologias documentais, aos assuntos mais focados e à situação relativamente a reserva de acesso ao conteúdo.

Acesso à Documentação

O Centro pratica uma política de acesso público e gratuito, à sala de leitura e à biblioteca. Para consulta de documentação de Arquivo, salvo nos casos em que essa documentação tenha já sido disponibilizada ao público, na página do Centro na Internet, é pedida a apresentação de uma credencial do orientador do trabalho ou a informação sobre o interesse que motivou o pedido de consulta.

De toda a documentação de arquivo, é facultada cópia sempre que solicitada, salvo nos casos em que haja limitações decorrentes do estado de conservação do documento original ou de imperativos legais relativos a questões de comunicabilidade de conteúdo por motivo de reserva da vida privada ou segredo de estado. Estas duas limitações têm que ser vistas e decididas caso a caso, já que ambas, hoje, estão limitadas e devem ser harmonizadas com direito à informação. Em caso de conflito de direitos deve prevalecer a noção de bem comum sobre o direito à reserva da vida privada e a noção de que, nos nossos dias, o segredo de estado envelhece muito rapidamente.

Localização

O Centro de Documentação teve duas sedes antes de passar em 28 de Junho de 2016 para o Colégio da Graça, no nº138 da Rua da Sofia.

A primeira sede foi na Rua Antero de Quental nº195- cave, num edefício partilhado com o antigo Serviço de Documentação e Publicações da UC, e aí acolheu as primeiras doações e abriu oficialmente ao público. Em 1989 mudou para o edifício da Rua Augusta nº 25, primeiro ocupando apenas o résdo-chão e a cave direita, e em 1999 ocupando todo o rés-do-chão.

A instalação definitive em Outubro de 2016, no Colégio da Graça na Rua da Sofia, num edifício integrado num complecxo urbanístico que em 2011 obteve a classificação de Património Mundial, e que foi remodelado e requalificado para adequação às suas novas funções, vai permitir ao Cd25A ter uma outra visibilidade e participar de forma activa na vida cultural da cidade para além de cumprir com as suas funções primordiais de apoio ao ensino, à formação e à investigação científica na á da história social e política da segunda metade do século XX.

Doadores

Informação a ser enviada.